"A beleza da vida está no que oferecemos aos outros" – Amma
 
 
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TPM: Uma Celebração de Alegria

Na presença da Amma, finalmente entendi a profundidade dos caminhos que não passam pela razão, mas ao largo dela.
Por Maitê Proença

Há uma tendência nos céticos e intelectualizados de considerar o interesse por filosofias espirituais alternativas coisa de gente ingênua e abobalhada. A mim parece o contrário. Criada dentro do ateísmo convicto, conheci o mundo além da razão quando a razão ficou pequena para explicar o mundo. Logo percebi que, para lá do “dois mais dois são quatro”, havia uma inteligência superior que dava sentido ao mistério sem que eu precisasse subjugá-lo, enquadrando-o no meu patiozinho de saberes. Podia experimentá-lo, percebê-lo, e penetrá-lo, contanto que conseguisse debelar o medo que todos sentimos diante da imensidão desconhecida. Um dia compreendi que não se morre disso, e mergulhei. Meu mergulho foi fundo, denso e bom. Nadei oceanos, rompi os diques de minhas represas, caminhei por tempestades de areia. Depois, sentada sobre as dunas que se formaram, lá do alto, presenciei belezas transcendentais. Milagres aconteceram. Vi, como estou vendo o computador à minha frente, coisas que não se vêem normalmente, porque no estado habitual da consciência essas realidades não se encontram perceptíveis, apesar de estarem ali para serem vistas. Isso, evidentemente, é papo pra quem gosta de física quântica, ou para quem já vislumbrou minimamente outras verdades menos corriqueiras que as do “correr atrás pra se dar bem”.

Se você é um desses, talvez não saiba ainda que existe uma mestra viva - cujo simples toque pode iluminar o rumo de sua existência.
O nome dela é Amma e seu toque é de amor. Amor incondicional. Através de um singelo abraço Amma abençoa milhares de discípulos espalhados pelo mundo. Chega a abraçar por 30 horas, sem comer, sem beber água ou ir ao banheiro. E cada enlace seu é uma experiência pessoal - apesar de acontecer na multidão. Ammachi é uma mulher simples nascida numa pequena aldeia do sul da Índia. Ouvi falar dela pela primeira vez há dez anos. Há tempos, numa viagem pelo estado do Kerala, avistei o nome de sua cidade em uma placa de estrada, desviei imediatamente minha rota e apontei para o ashram onde a mestra vive com seus seguidores e devotos. Acontece que, justo naquele dia, Amma não saiu do quarto porque se preparava para uma longa turnê na manhã seguinte.

Mãe da eterna felicidade

Só fui estar com ela frente a frente mês passado, num encontro público no Rio de Janeiro. Pude então confirmar o que já supunha: a grandeza da Mãe, como a chamam, não é evidente para os que buscam compreendê-la. Amma é para ser experimentada numa dimensão mais sublime. Não tendo inventado nada (pra quê?), sua forma de devoção vem do hinduismo, que reconhece todas as crenças, aceitando profetas e mestres de outras religiões. Ao contrário do guru Osho, por exemplo - que foi um gênio de conhecimento, tendo lido milhares de livros e criado uma prática totalmente inovadora (e polêmica) para a aproximação com o divino –, os caminhos propostos por Amma não passam pela razão, mas ao largo dela. Amma é puro amor: um amor concreto cuja obra assistencial é maior que a do multimilionário papa, e, ao contrário da religião católica - cheia de restrições e sofrimento -, Amma é aceitação, é canção e é riso.
Estar com Amma é a celebração de uma imensa Alegria.

Vida simples: Aquele abraço

Amma, a guru indiana que já abraçou mais de 20 milhões de pessoas, esteve no Brasil em agosto. Seu segredo está em uma só palavra: amor.

Por Mariana Sgarioni

Mata Amritanandamayi ­ ou Amma, como é conhecida ­ tem um hábito muito especial. O de abraçar. Pode parecer banal, mas não é. O abraço de Amma aconchega, pacifica, acalma. Para alguns, ele chega a abençoar, uma vez que Amma (mãe, em sânscrito) é vista por milhões de pessoas como uma verdadeira santa na Terra, a encarnação do amor. Pois é como uma verdadeira mãe de todos que esta indiana de 54 anos se sente. Reconhecida pelas Nações Unidas por seu trabalho humanitário e por promover a paz no mundo, Amma é uma altruísta incansável. Chega a ficar mais de 20 horas sem se levantar somente distribuindo seus famosos abraços. Enquanto houver uma pessoa esperando, Amma continua ali, disponível, a quem quer que seja. Mantém ainda a Fundação Mata Amritanandamayi Math, na Índia, uma imensa rede que promove atendimento gratuito com hospitais, clínicas, orfanatos, farmácias ambulantes, asilos, creches, entre outros serviços e programas de combate à pobreza. Segundo a ONU, a fundação é a “única organização não-governamental capaz de promover, em larga escala, um esforço humanitário completo”.

A vida de Amma é permeada por histórias fantásticas ­ e não se sabe até que ponto é verdade, ou se faz parte do imaginário público. Diz-se, por exemplo, que ela só come restos de comida em nome da solidariedade aos que passam fome. Nascida em uma pequena aldeia de Kerala, no sul da Índia, Amma já expressava sua vocação pelos que sofrem desde criança. Costumava levar pessoas necessitadas à casa de seus pais, onde lhes dava banho quente, roupas, comida, além de rezar por elas e ouvir seus lamentos. Ainda criança, também começou a meditar intensamente, passando dias e noites ao relento, sem comer e dormir. “Todas as sadhanas [práticas espirituais] são métodos para diminuir os pensamentos e aumentar paz e assim, lentamente, o homem pode se transformar em Deus. Não só fará a pessoa desfrutar da paz consigo mesmo, mas dará paz aos outros a sua volta também”, diz. Embora pratique o hinduísmo, Amma não pretende converter ninguém ­ ela quer é que cada um encontre a verdadeira fé naquilo que já acredita, até mesmo os ateus.

No início de agosto, Amma esteve pela primeira vez no Brasil, numa expedição à América Latina. Nos três dias em que esteve no Rio de Janeiro, estima-se que ela tenha abraçado mais de 15 mil pessoas, que se aglomeraram no Hotel Intercontinental, em São Conrado. Na chegada, Amma teve os pés lavados com água e pétalas de rosas. Em seguida, convidou o público a uma meditação para depois iniciar a sessão de abraços.

As perguntas a seguir foram feitas enquanto Amma dava seus abraços ­ ela não pára nem para dar entrevista. Por isso, não só eu como todos os jornalistas presentes tivemos direito a apenas três perguntas cada um. Logo depois de conversar com ela por meio de um swami (monge discípulo que traduz o que ela diz em sânscrito para o inglês), fui eu que ganhei um abraço. A sensação foi inexplicável ­ ela colocou meu rosto contra seu peito, balbuciou em meu ouvido algumas palavras em sânscrito, enquanto me envolvia em seus braços fofinhos, beijava minha testa e colocava uma maçã em uma de minhas mãos. Eu sentia o perfume de pétalas de rosas de sua roupa e a sensação de que, sim, o maior amor do mundo existe. E ele estava bem ali.

De que o mundo mais precisa?
Amor e compaixão. A alma precisa tanto de amor quanto o corpo precisa de comida para crescer. O amor, por exemplo, pode chegar a nutrir muito mais um bebê do que o próprio leite. O que acontece hoje no mundo é que as pessoas passam muito mais tempo tensas do que em estado de felicidade. E deveria ser exatamente o inverso. As pessoas trabalham demais para acumular riquezas, carros, jóias, luxo e acessórios como ar-condicionado em suas casas. Ao mesmo tempo, elas não conseguem sequer dormir em paz, precisam de remédios. Elas não entendem que nada dessas coisas materiais traz felicidade ­ porque, se trouxesse, elas seriam felizes. Mas não são. Tudo depende da nossa mente, do quanto nossa mente está em paz. A espiritualidade é o ar-condicionado da mente.

Todos deveriam abraçar mais uns aos outros?
Só abraçar não significa nada. O que conta é o amor que você sente e transmite com esse gesto. Ver e sentir vida em tudo ­ isso é amor. Quando o amor preenche o coração, a pessoa vê a vida pulsar em tudo. Portanto, onde há vida, há amor ­ e vice-versa. A vida e o amor não são dois, são um. Assim, o ato de abraçar deve estar impregnado de amor. Caso contrário, é como dar gelo a quem tem sede: não adianta nada. É importante lembrar que, quando falo em amor, falo no sentimento sem restrições. Inclusive por aquelas pessoas que não conhecemos. O amor não aparece apenas pelo nosso filho, nossa família, nosso cônjuge. Ele deve ser igual para todos, incluindo até desconhecidos. Quando eu abraço, sinto que cada um é meu filho [Amma chama todas as pessoas de “Filho”]. O amor real é vivido quando não existem condições. O amor real é o único remédio que pode curar as feridas do mundo. Neste Universo, é o amor que une todas as coisas. Quando essa consciência despertar dentro de nós, toda a desarmonia terminará e reinará a paz duradoura.

É a primeira vez que a senhora vem à América Latina. Qual sua impressão deste povo?
Sinto que são pessoas que têm coração de criança. Percebo que existe muito amor dentro delas, mas que têm alguma dificuldade de se abrir. Veja, isso não é ruim. Ninguém é ruim. Se olharmos apenas o lado bom dos outros, eles realmente se tornarão bons. Até mesmo um relógio quebrado pode ser bom, uma vez que ele mostra a hora certa duas vezes ao dia [risos]. O que quero dizer é que mesmo as pessoas que parecem ser ruins têm qualidades. O importante é aceitar a todos independentemente de suas expectativas. É o que estou fazendo aqui e agora. Por exemplo, ao ver uma flor, um cientista vai querer estudar suas propriedades. Um poeta vai querer fazer uma poesia. Um religioso vai querer oferecê-la a Deus. Ou seja, diante de um mesmo fato há inúmeras expectativas. Como aqui: imagino que cada uma dessas pessoas tenha uma expectativa diante de mim. Mas não me importa. Estou aqui para atender cada um, independentemente do que esperam de mim.

Vida simples: De coração para coração
Texto: Liane Alves

A líder espiritual e humanitária Mata Amritanandamay, ou simplesmente Amma (Mãe, em sânscrito), chega ao Brasil para distribuir abraços ­ sua forma de transmitir o imenso sentimento amoroso que sente por todos os seres e ajudar a despertar nosso próprio amor incondicional, pois é no abraço que um coração vai de encontro ao outro coração.

Na fila, o jovem repórter inglês Louis Theroux esperava pacientemente o abraço de Amma, a pequena senhora indiana de pele escura e sorriso aberto que estava ali para receber em seus braços milhares de fiéis numa cidade do sul da Índia. Ele acabava de percorrer o território indiano, entrevistando gurus, sem manifestar a mínima emoção ou qualquer indício de uma experiência espiritual marcante e estava ali para registrar francamente suas impressões para uma série inglesa exibida pela TV a cabo, inclusive no Brasil. Mas a presença de Amma, o clima de devoção e fé, os mantras e os incensos e perfumes de flores pouco a pouco começaram a atuar sobre Louis. Sem mais nem menos, diversos episódios importantes de sua vida surgiram em sua mente e ele passou a sentir um turbilhão de emoções. E começou a chorar. Quando finalmente chegou a abraçá-la, disse que experimentou um sentimento jamais provado de amor e aceitação incondicional. Amma foi o único guru da Índia a tocar verdadeiramente seu coração.
Essa cena se repetiu com milhões de pessoas em todo o mundo. Várias delas sentiram a mesma coisa que o jornalista inglês. Outras não perceberam absolutamente nada. Mas durante os 45 segundos que dura o abraço, às vezes acompanhado de palavras de conforto e estímulo, muita gente garante que sente uma transformação. E por muito tempo o efeito desse abraço pode permanecer. “A sensação é indescritível e muito poderosa. O fluxo de meus pensamentos parou completamente”, garante o terapeuta Wilton Gaya, que hoje representa Amma em um pequeno grupo de adeptos em São Paulo. Em Araruama, no Rio, Amma tem um templo dedicado a ela e, no restante do Brasil, outros grupos se reúnem semanalmente para fazer o satsang ­ a partilha de ensinamentos, cantos e mantras.

MÃE DIVINA UNIVERSAL
Calcula-se que mais de 26 milhões de pessoas já tenham tido a experiência do abraço carinhoso de Amma. Numa sessão, ela pode dar mais de 18 mil abraços e permanecer até 40 horas assim. É nesse ato que ela oferece a bênção divina, ou darshan, como dizem os indianos. Embora sua espiritualidade se expresse por meio das figuras sagradas do hinduísmo ­ ela é considerada pelos seus adeptos como a encarnação da Mãe Divina Universal, na forma de Devi, esposa do deus Shiva ­, Amma insiste no respeito a todas as tradições. “Ela não quer conversões, mas sim que a pessoa encontre a fé dentro de sua própria religião”, garante Wilton. Essa intenção ecumênica é reconhecida: ela presidiu, em 1993, o Parlamento Mundial das Religiões da Organização das Nações Unidas (ONU) e no seu ashram, ou comunidade, na Índia, circulam rabinos e rabinas, padres e freiras e monges budistas.
Vários corações se sentem motivados a doar recursos para sua instituição, a Missão Mata Amritanandamay Math, criada em 1981, cuja ação também é reconhecida pela ONU. A instituição arrecada, ainda, fundos com a venda de livros e CDs e tem a sua disposição um dos maiores, senão o maior, voluntariado do mundo. Mantém escolas e hospitais na Índia e é a líder humanitária e espiritual de maior expressão de seu país, superando até outro guru igualmente famoso por suas obras, o indiano Sai Baba.
Hoje Amma é conhecida como um dos principais líderes humanitários do planeta: foi a que fez a maior doação (US$ 23 milhões) às vítimas do tsunami, em 2004, na Ásia, e a que distribui refeições a pessoas carentes em mais de 33 cidades dos Estados Unidos, sem falar das 53 escolas, dezenas de asilos e centenas de obras assistenciais que mantém na Índia. Atualmente, 22 universidades americanas firmaram convênios de colaboração com a universidade fundada por ela. E seu hospital, especializado em medicina aiurvédica, é considerado o melhor da Ásia.

MENINA FRANZINA
Amma nasceu em Kerala, uma aldeia de pescadores ao sul da Índia, há 54 anos. Como em outros nascimentos divinos, seus adeptos contam que sua vinda foi anunciada com sinais auspiciosos: sua mãe sonhou que dava à luz ao deus Krishna e o bebê nasceu com um tom azul-escuro, a cor com que a divindade é representada.
Mesmo amada pelas crianças, que queriam sempre brincar com a menina que cantava mantras em voz alta e dramatizava cenas do livro sagrado Vedas, sua família a rejeitou pelo seu estranho modo de ser. E houve tempo em que a menina viveu na rua, abandonada. Mas o amor de Amma, ainda chamada de Sudhamani, era tão grande que desde os 8 anos ela começou a atrair outras pessoas para ouvi-la.
Sua união com a Mãe Divina Universal se tornou tão grande que, ainda jovem, Amma conseguiu transcender a si mesma e, segundo seus adeptos, transformar-se na expressão desse ser divino. Diz ela em sua biografia: “Sorrindo, a Divina Mãe se tornou um corpo de luz e se fundiu comigo. Daí em diante, eu mais nada reconheci como separado de meu próprio Ser”. Adotou então o nome de Amritanandamayi, ou Mãe da Eterna Felicidade.
Vestida sempre com sáris brancos e usando um diamante no nariz, Amma vive num quarto de cerca de 6 m2, onde estão uma cama e uma penteadeira. Quando não está no seu ashram, percorre o mundo, distribuindo bênçãos em forma de abraços. “Para Amma, só existe o amor”, diz a própria mestra.

Ágape, o amor divino
O amor incondicional, ou agapé (ágape, em português), já era identificado pelos antigos gregos, que o distinguiam da philia, a amizade, e de eros, o amor carnal. “É o amor que transcende os dois primeiros porque na amizade se amam os ‘meus’ amigos e, no amor carnal, o ‘meu objeto de desejo’”, diz o pensador francês André Comte-Sponville no livro Pequeno Tratado das Grandes Virtudes (ed. Martins Fontes).
Na amizade e no amor mais erótico, o sentimento nos inclui em primeiro lugar. Mas o amor incondicional é intransitivo: ama-se e pronto, a tudo e a todos com seus limites, defeitos e idiossincrasias. Como diz Sponville, é o amor que Deus tem por nós e que nasce no coração quando Deus ali está presente, quer chamemos pelo seu nome ou não. “É um amor espontâneo e gratuito, sem motivo, sem interesse, até mesmo sem justificação”, afirma o pensador Anders Nygren. Ágape é um amor criador. O amor divino toma como objeto o que não tem nenhum valor em si e lhe dá um valor. Agapé nada tem em comum com o amor que se fundamenta na constatação do valor do outro (como faz o amor erótico e como faz a amizade, quase sempre). O amor incondicional é, portanto, um princípio criador de valor. É o único amor capaz de abranger esta frase de Cristo: “Ama teus inimigos” porque os inimigos são sempre destituídos de valor.
Há um amor que se parece com uma fome, o de eros. Outro que se nutre da alegria, o de philia. Mas há um amor, o de ágape, que se assemelha a um sorriso. Ou, quem sabe, a um abraço.

O chacra cardíaco
Na Índia, o amor incondicional está indissoluvelmente ligado ao chacra (vórtice de energia) ANAHATA, ou cardíaco, que fica no centro do peito e está associado ao coração. Este chacra resplandesce nas cores verde e ouro, com lampejos rosados, e diz-se que tem oito pétalas, ou ondulações vibracionais de energia.

Amma é considerada um dos maiores líderes humanitários do planeta.

New York Times:
Com cada abraço caloroso, uma Guru compartilha sua mensagem.
Corey Kilganon

A Guru indiana conhecida simplesmente como Amma chegou em Nova York no sábado, dia 17/7, distribuindo abraços de conforto no salão Hammerstein, em Manhattan.

Nas últimas três décadas, Amma, 50, vem combatendo o sofrimento do mundo oferecendo abraços sem cessar, tanto para estranhos quanto para suas legiões de seguidores, que dizem que ela já consolou 21 milhões de pessoas em todo o mundo.

Os organizadores do evento dizem que esse total será acrescido de 15.000 durante sua estadia de três dias em Nova York. Amma abraça incansavelmente, parando somente algumas horas por dia para dormir. Seus abraços são gratuitos e há muitos candidatos.

Ontem, foram distribuídas senhas para manter a ordem. Uma longa fila de pessoas aproximou-se lentamente até a mulher sorridente de roupas brancas. Ela estava sentada em uma cadeira em frente ao palco. No alto, um fio com lâmpadas e, ao seu lado, dois ventiladores potentes.

Atrás dela, um coro cantava músicas espirituais, acompanhado de instrumentos indianos tradicionais. Ao meio dia, havia mais de 1.000 seguidores sem sapatos no salão, muitos vestidos com roupas largas de algodão branco fino. Muitos estavam sentados no chão, em posturas meditativas. Também havia muitas famílias de imigrantes indianos, trazendo seus jovens filhos para serem abençoados. Na lojinha, o rosto da Amma estava em toda parte, em fotografias, cartazes, pinturas e adesivos.

Amma dá abraços sem cessar. Incansável e energética, ela pressiona a pessoa firmemente contra seu peito, segura-a ali em um forte abraço e, em geral, sussurra palavras confortantes em sua língua natal, Malayalam. Depois, ela oferece à pessoa uma pequena lembrança, como um chocolate Kiss da Hershey, uma pétala de rosa ou uma maçã.

"Quando uma criança procura sua mãe com o coração pesado, a mãe responde abraçando-a e consolando-a", explicou Swami Ramakrishna, monge hindu de 48 anos que há 27 anos serve no ashram (monastério) da Amma no sul da Índia. O swami, com suas vestes cor de laranja e longa barba, sorriu na direção da Amma e disse que foi seu abraço que o levou a deixar sua carreira de bancário, aos 21, e segui-la.

"Depois do abraço, as pessoas passam por experiências diferentes", disse ele. "Algumas vêem coisas boas acontecerem em suas vidas e seus problemas partirem; outras se sentem mais fortes para enfrentar seus problemas."

Amma, cujo nome completo é Mata Amritananadamayi, ou "Mãe do Êxtase Imortal", nasceu em 1953, em uma família pobre. Ela entrava em meditação profunda durante horas quando criança e desde cedo passou a se dedicar a aliviar o sofrimento das pessoas com seu abraço e obras de caridade.

Depois de seu abraço, Beverly Haupt, 42, assistente médica de Middle Island, N.Y., estava no salão lotado de seguidores da Amma, todos de branco. Ela vestia calça jeans, camiseta do Yankees e trazia um sorriso radiante em seu rosto, raramente visto em Nova York.

Beverly disse que veio de Long Island depois que um amigo lhe contou sobre a Amma, que ela descreveu como "maravilhosa, amorosa e muito libertadora".

"Dá para sentir a energia", disse ela. "É muito calmante. Faz você querer sair e fazer boas coisas para as pessoas." Antes de partir pela Rua 34, quente e engarrafada, Beverly acrescentou: "Na cidade de Nova York, isso pode ser bom ou não."

Isto É
A deusa do abraço Ao completar 50 anos, a líder espiritual indiana Mata Amritanandamayi, que fez do gesto amoroso a sua marca, comemora um número cada vez maior de adeptos.

Celina Côrtes - Cochin, Índia

Amma, como é mais conhecida, entre a multidão durante os festejos de seu aniversário: generosidade.

Uma lenda viva cresce na Índia e se alastra pelo mundo ocidental. Sudhamani, uma jovem pobre que desde menina assombrava a todos com seu comportamento anormal, se transformou em uma deusa aos olhos dos indianos e de devotos dos quatro cantos do planeta. Sob o nome sagrado de Mata Amritanandamayi (mãe imortal infinita plena), ganhou fama. E não apenas pela obra social que comanda, mas também, e principalmente, pelos milagres que são atribuídos a ela e pelos abraços que viraram a sua marca. Mata Amritanandamayi - também chamada de Ammachi ou Amma (mãe divina) - fez 50 anos no sábado 27 de setembro. Foram quatro dias de festividades que atraíram pelo menos dois milhões de seguidores, entre eles o presidente da Índia, Abdul Kalam, ao estádio de Cochin, cidade com um milhão de habitantes situada no sul da Índia. Amma vive a duas horas dali, em Vallikkavu. Cantos devocionais (bahjans) de paz e de amor levaram milhares de pessoas ao êxtase, entre eles alguns brasileiros, que esperam pela visita da líder ao Brasil até o fim de 2004. Amma planeja vir ao País para conhecer os centros situados em Araruama, no Rio, em São Paulo e em Brasília.

Além da influência que tem sobre boa parte de seus compatriotas - que chegam a um bilhão -, Amma também é respeitada no Ocidente. O abraço - que em seu país é raramente dado em público por pessoas de sexos opostos - tem grande simbologia para ela. "Minha missão é consolar os que estão tristes", diz. Segundo o swami (sacerdote) indiano Ramakrishnananda Puri, 48 anos, Amma já abraçou 30 milhões de pessoas. Seus seguidores afirmam que ninguém continua o mesmo depois de sentir sua energia. Pelo que se viu durante as festividades de seu aniversário, fica difícil não acreditar. Amma chegou ao estádio de Cochin às nove horas de sábado. Discursou, cantou, ouviu palestras, assistiu a shows de música indiana e começou a abraçar o público depois da meia-noite. Só saiu do palco - sem interromper a longa sessão de abraços para comer ou ir ao banheiro - às 11 horas do dia seguinte. "É um milagre. Se eu contar, ninguém acredita. Uma vez em milhares de anos aparece alguém assim no mundo", festeja o swami.
A religiosa está sempre disponível para atender a todos. Não ouve apenas aspirações espirituais, mas também pedidos materiais. A própria história de Swami Ramakrishnananda Puri ilustra os sentimentos despertados pela guru. Ele a procurou em 1978 sonhando com uma transferência da agência bancária da cidade de Harippad para Palakkad. "Quando conheci Amma, senti tanta paz que comecei a chorar", lembra. Voltou ao templo alguns dias depois, quando testemunhou um dos milagres mais conhecidos de Amma, gravado por um cinegrafista amador: "Apareceu um homem leproso, Dattan, cheio de feridas. A 'deusa' fez sinal para que ele se aproximasse, lambeu seu corpo e, sete dias depois, ele estava curado. Nenhum ser humano seria capaz de tal gesto de amor." Foi o que bastou para Ramakrishnananda abandonar tudo e seguir a guru.
Olhos - Outra que mudou de vida por causa da líder espiritual foi a carioca Michele de Souza Morais, 22 anos. Aos 15, conheceu Amma em San Ramon, no ashram (mosteiro) da Califórnia. Foi em busca de ajuda. Ela é portadora de uma raríssima doença nos olhos, a síndrome de Starggart, que não permite o uso de óculos ou lentes. "Os médicos me disseram que eu ficaria cega aos 16 anos, e minha vista só piorava", lembra. Quando perguntou sobre seu risco, Amma disse para não se preocupar. "Vou cuidar disso", prometeu. A doença estacionou e hoje Michele é a única estrangeira que estuda medicina no Aims Institute for Medical Science, em Cochin, por sugestão da líder. No estádio de Cochin, dois milhões de seguidores se emocionaram com as palavras de Amma Segundo seus adeptos, por meio de Amma se manifestaram os deuses Krishna e Kali, o que é incomum, mesmo num país que idolatra tantos deuses diferentes. Ela passa seus dias disseminando sua interpretação do hinduísmo - religião milenar que tem como características o politeísmo (fé em vários deuses - são mais de 100), a ioga, a meditação e a crença na reencarnação. Tem como principal objetivo a superação do ciclo de reencarnações, o sansara, para que se possa atingir o nirvana, a sabedoria resultante do conhecimento de si mesmo e do universo.
Serva - Filha de uma família pobre de pescadores, aos dez anos, Amma largou os estudos para cuidar da casa e dos sete irmãos. Contam que, quando nasceu, não chorou. Ao contrário, estampou um radiante sorriso. Começou a falar aos seis meses e, aos dois anos, já fazia orações e cantava melodias em louvor a Krishna (a suprema personalidade de Deus para os hindus). Aos nove anos, acordava às três horas para limpar a casa, varrer o terreno, buscar água e fazer todo o trabalho doméstico. Era tratada como uma serva pela família. Costumava tirar comida de casa para dar aos mais pobres.

Sua generosidade logo atraiu a atenção da vizinhança. Um dia, ela se transfigurou, entrou em transe e começou a repetir palavras atribuídas a Krishna. A notícia se espalhou, e não demorou a juntar uma multidão nos arredores do casebre onde morava, na aldeia de Parayakadavu. Começaram a pedir um milagre - conforme sua biografia, escrita pelo swami Amritaswarupananda, traduzida para o português e disponível nos centros de São Paulo e Rio -, ao que a jovem respondeu: "Não estou interessada que ninguém acredite em mim pelos milagres. Minha meta é inspirar as pessoas com o desejo de liberação pela realização do eu eterno. Estou aqui para remover desejos, e não para criá-los." Diante da insistência, ela pediu que alguém lhe trouxesse um jarro d'água. Depois de respingar um pouco na multidão como se a benzesse, transformou o resto do líquido em leite e o distribuiu.

Histórias como essas foram o primeiro fator multiplicador de seguidores. A fama atraiu doadores para sua causa, dando início à obra social que hoje coordena. Essas obras dependem de trabalho voluntário e são financiadas pela venda dos produtos naturais de saúde pela Missão Mata Amritanandamayi Math, fundada em 1981, e por doações, a maioria dos próprios indianos. A missão movimenta por ano o equivalente a R$ 102 milhões, ou 1,5 bilhão de rúpias, moeda indiana. Com esses recursos, construiu o Aims Institute for Medical Science, um dos mais bem equipados hospitais da Índia, com 800 leitos e atendimento ambulatorial diário e gratuito para duas mil pessoas. Atende mais de 500 crianças em orfanatos. Também ergueu 25 mil casas populares e anunciou a construção de outras 100 mil nos próximos dez anos. No mosteiro vizinho a Cochin, há três mil pessoas realizando práticas espirituais gratuitamente, e no de San Ramon, na Califórnia, outras duas mil. Entre suas obras mais importantes também estão as universidades de tecnologia, medicina, administração, enfermaria e farmácia. "Os conhecimentos científico e espiritual não podem ser diferentes. São facetas de uma mesma verdade", preconiza Amma.
Forte Emoção:

Era véspera do aniversário de Amma. Consegui chegar atrás do palco com meu crachá de jornalista e pedir a um swami autorização para receber um darsham, como eles chamam o abraço divino. Depois de uma hora, quando ela se preparava para sentar em frente ao público, subi ao palco. Fiz tudo errado. Explicaram para eu me deixar abraçar, mas foi automático: envolvi Amma com meus braços. Sua reação misturou surpresa e carinho. Seus auxiliares me afastaram, fiquei profundamente impactada, enquanto ela me seguia com seu olhar cúmplice. Depois caí no choro. Saí de lá leve, com vontade de compartilhar aquela energia deliciosa.

Prêmio Karma Yoga - Yoga Journal
Elevando a Humanidade Carente.
Por Phil Catalfo
Ao dirigir na estrada de barro, passando por alguns currais de cavalos, parece que estamos entrando num outro mundo, diferente daquela correria e estresse da metrópole, a apenas algumas milhas de distância. Esse pedaço de terra em Castro Valley, Califórnia, já foi uma fazenda, e agora o Centro Mata Amritanandamayi (M.A. Center), ashram da Amma ("Mãe") nos EUA. Também chamada de A Santa Dos Abraços, Amma está sempre atendendo milhares de pessoas, que vêm receber seu 'darshan' (encontro com um sábio ou santo). Estima-se que ela já abraçou mais de 20 milhões de pessoas desde que começou sua missão, há mais de 30 anos.
Numa tarde de primavera, cheguei no templo do ashram, enquanto a Amma terminava mais uma de suas sessões de 5 horas de abraços sem intervalo. Esta, por sua vez, começara apenas algumas horas depois da maratona anterior, que havia durado 8 horas. Ela parece ter uma infinita vontade de receber seus "filhos", como chama a todos os seus devotos e admiradores, abraçando-os apertado, cochichando "mol, mol, mol...", (filho, filho, filho) ou "mon, mon, mon...", (filha, filha, filha) em seus ouvidos, dando-lhes um ou dois prasads (oferenda abençoada), na forma de chocolates ou frutas, e depois deixando-os para seguirem seus caminhos.
O amor da Amma também se manifesta na forma de impressionante lista de obras de caridade. Na Índia, são inúmeros hospitais, mais de 30 escolas, um programa que já construiu 25.000 casas, pensão para mais de 50.000 viúvas e muito mais. Nos EUA, ela inspirou a criação do projeto que alimenta a população carente em mais de 25 cidades diferentes por todo país (Mother's Kitchen Project); em San Francisco, foi criado um projeto que oferece aos mendigos uma oportunidade de tomar banho, receber uma muda de roupa e um saquinho com sanduíche e suco, toda semana (San Francisco's Shower Project - iniciado por brasileiros); outro, oferece transporte, suporte e visita hospitalar a prisioneiros (Amma's Hands); em Ohio, devotos ensinam ioga, meditação e computação numa casa para mulheres vítimas de violência. "Ela é a incorporação do Karma Yoga", diz o relações-públicas americano Rob Sidon.
Nascida em 1953, num vilarejo de pescadores no Estado de Kerala na Índia, Amma foi forçada a largar a escola aos 10 anos de idade, para servir de empregada para a família. Através de um crescente senso de devoção mística e o desejo de aliviar o sofrimento dos outros, ela cuidava dos enfermos, dos mais pobres e dos idosos de sua vizinhança, tirando comida do já reduzido estoque da família. Jovem, ela começou a atrair multidões de pessoas que queriam receber suas bênçãos - que ela dava na forma de um abraço. Uma jovem na Índia dando abraços a estranhos, sem dúvidas, ia contra as normas culturais. Isso gerou grande oposição, inclusive de sua família. Ela foi apedrejada, tentaram envenená-la várias vezes e até esfaqueá-la.
Mesmo assim, ela continuou suas práticas, que descrevia como, "elevar a humanidade carente". No final dos anos 80, ela começou suas turnês pelos Estados Unidos e Europa todos os anos, estabelecendo ashrams e arrecadando fundos (através de doações, venda de livros, fitas de música, e outros produtos. Seus programas públicos, incluindo seus abraços são inteiramente gratuitos) para suas instituições de caridade. Assim, a organização pôde construir o hospital mais moderno da Ásia (AIMS), com o custo de 20 milhões, na cidade Cochin, em Kerala (Desde 1998, o hospital tratou de mais de 20.000 pacientes e executou mais de 7.000 cirurgias), financiar pensão para 50.000 mulheres destituídas, construir 25.000 casas (incluindo 1.000 casas em três vilarejos que foram completamente destruídos no terremoto de 2001, em Gujarat), além de distribuir mais de 50.000 refeições através de seus ashrams. E os abraços continuam a aumentar.
Enquanto ela continuava distribuindo seus darshans, fui dar uma volta pelo interior do templo, olhar a livraria e conversar com um dos voluntários. Rob Gottsegen, vendeu sua lucrativa empresa de eletrônicos para ir morar em Cochin e supervisionar a construção do hospital, com 800 leitos, AIMS e que ele agora gerencia. Perguntamos como era deixar uma vida de sucesso material e seguir uma vida de serviço ao próximo. Ele contestou, dizendo que ele não abdicara de nada. "As pessoas pensam que eu fiz um grande sacrifício", disse ele, "mas eu me sinto enriquecido pelo o que faço agora. Eu não sinto que estou perdendo nada". O darshan, então, terminou. Amma deixou o templo graciosamente (no meio dos ardentes chamados por "Ma, Ma, Ma" de seus devotos). Eu segui a procissão até o lado de fora, onde o mantra preferido da Mãe, "Om Lokaha Samastah Sukino Bhavantu", ("que todos os seres do universo sejam felizes"), enfeitava a entrada do templo. Não foi possível fazer uma entrevista desta vez, mas pude submeter questões por escrito sobre karma yoga. Mais tarde, recebi as respostas por email de seu relações-públicas. "Karma yoga não é o princípio, mas o fim", Amma respondeu. Esse tipo de serviço, disse ela, é "a mais alta forma de experiência", um estado no qual "a pessoa, espontaneamente, é capaz de enxergar tudo como Consciência Pura".
Ao perguntar como as pessoas do mundo moderno, com os obstáculos do sofrimento diário, conseguem dar de si para os menos afortunados, Amma respondeu: "Ajudar e servir o próximo é, basicamente, a atitude que se deve tomar em relação à vida. Desenvolver essa atitude não tem nenhuma ligação à quantidade de dinheiro que se tem". Ela também expôs que, ao vermos nossas práticas como sendo para o beneficio de todo mundo, adquirimos: "A vida baseada nos princípios espirituais, na qual a pessoa que não prejudica os outros e encontra paz dentro de si mesma é, na verdade, a melhor forma de servir o próximo. O contentamento já é um grande benefício à sociedade". Lembrando do ambiente daquela tarde no ashram fica fácil de concordar.

ÉPOCA - (Internet)- 26 de Outubro de 2000
Cerca de duas mil pessoas amontoaram-se em um centro esportivo de Londres, na Inglaterra, ontem, para serem abraçadas por uma Guru indiana, descrita por seus seguidores como uma "santa viva".

Mata Amritanandamayi Devi, de 47 anos, mais conhecida como "Amma", ou Mãe, gasta a maior parte de seu tempo abraçando multidões de devotos que fazem fila para conseguir sua "energia espiritual".

Estima-se que ela já tenha abraçado 20 milhões de pessoas até agora, quase a população inteira do Peru. O evento de ontem fazia parte da turnê européia de Amma, que deverá passar por nove cidades. "Eu quero entrar no coração das pessoas e acordá-las", disse a Guru entre os abraços. Pessoas de todos os credos e origens acreditam no poder da indiana.
(As informações são da agência Reuters).

 PEOPLE MAGAZINE - 25/Setembro/2000
Quem quer um abraço?
Líder Espiritual Ammachi vai ao encontro de milhões de pessoas e dá um apertão em cada um.
Ammachi, também conhecida como Amma e Mãe da Eterna Felicidade, está nos últimos dias de sua turnê pelos EUA. Ela se fez conhecida em 30 anos, ganhando simpatizantes por todos que 'abraçaram' e foram abraçados pela Guru Indiana. Foi reportado que Ammachi já abraçou mais de 10 mil pessoas em uma sessão 'maratona'. Recentemente, duas mil e duzentas pessoas se enfileiraram no saguão do Hotel Ramada em Andover, Mass. para ganhar o seu abraço.
"Onde há amor não há cansaço," disse Ammachi, de 46 anos, com seu sari manchado ao ponto de que nem água sanitária pode ajudar em resultado do suor e maquiagem dos buscadores. "Somente expressando amor, pode-se sentí-lo."
Será que a mulher que Deepak Chopra chama de santa viva não poderia apenas acenar? Ou oferecer uma benção coletiva? "O abraço ajuda a despertar e revelar a Verdadeira Natureza de cada um", explica Ammachi. Na Índia, diz Sbalakrishnan, editor do maior jornal da cidade - The Times of India - "Ela tem um grande número de devotos e há sempre filas enormes esperando para vê-la."
Seu irmão Suresh diz que Amma começou mostrar sua santidade ainda bem nova, dando coisas de dentro de casa para pessoas carentes, sem a autorização de seus pais. "Como ela amava todas as pessoas igualmente," diz ele, "nós pensávamos que ela era louca."
Amma não pede nada em troca, mas muitas vezes os gratos visitantes oferecem doações em dinheiro. Através das obras de caridade, ela e seus voluntários alimentam mais de 50.000 pessoas carentes por mês. "Ela construiu hospitais, asilos e clínicas terminais para aliviar o sofrimento do próximo," conta Sbalakrishnan.

"Ela me faz acreditar em amor," diz Cynthia Jenkins, de 36 anos, que acabara de ganhar um abraço. O seu marido acrescenta: "Eu sei que pode parecer estranho, mas quando eu rezo para ela, sempre tenho resposta". Eles também receberam uma emplastada de pasta de sândalo na testa, um banho de pétalas de rosas e um chocolate kiss (o último, é uma oferta para os visitantes americanos).

YOGA JOURNAL
Hoje no Ocidente falamos da volta da Deusa. Se as "divinas mães" da Índia são uma indicação, Ela está trazendo suas filhas com Ela, e com toda força.

Amritanandamayi Ma

A biblioteca de Berkeley, Califórnia, está tão lotada que os que chegam mais tarde estão literalmente subindo uns nos outros ao empurrarem até a porta. Cada cadeira, mesa e metro quadrado de espaço no chão já foram ocupados pelas pessoas tentando conseguir uma visão da mulher de 33 anos de idade, que não terminou o ensino fundamental, vinda do sudoeste da Índia. Amritanandamayi Ma ("Divina Mãe do Êxtase") está sentada no chão perto das estantes, cantando canções devocionais em Malaialam com uma doçura sofrida. "Tremo de êxtase lembrando as palavras da Divina Mãe", dizia a música. "Minha querida, venha logo. Você sempre foi Minha".

O programa, que envolvia cânticos e meditação, terminou, mas ninguém saiu. Como traças, as pessoas são atraídas pelo calor e luz que emanam de forma quase tangível desta mulher de pele escura. Apesar dela não falar inglês e só fazer contato direto com as pessoas com seus olhos e mãos, Amritanandamayi ficará aqui até três da manhã, recebendo cada alma que se aproxima para encontrá-la, consolando os aflitos, encorajando os aspirantes espirituais e ensinando e provocando através de seu tradutor atento.
Nascida em uma família pobre de pescadores em Kerala, Índia, Sudhamani ("Jóia Pura") freqüentou a escola até a quarta série, quando a doença de sua mãe forçou-a a deixar a escola para cuidar da casa. A quantidade de trabalho era enorme para uma menina de nove anos, mas a mente de Sudhamani estava sempre absorta no Senhor Krishna. Sua concentração era tão intensa que, às vezes, ela se movimentava e falava como Ele, ocasionalmente deixando os aldeões com uma sensação estranha de que Krishna realmente estava presente. Mais tarde, na adolescência, Sudhamani sentiu o chamado da Mãe Universal. Ela caminhava pela praia à noite e, como uma gota fundindo-se ao oceano, seu coração unia-se à totalidade da Divina Mãe. Os aldeões a encontravam na praia, aparentemente inconsciente, totalmente absorvida na Deusa. Hoje a história é inspiradora, mas, na época, esses eventos tinham um efeito menos saudável em sua família, que tinha pouca paciência com esses "ataques", e menos ainda com o círculo de devotos que começou a se formar em sua volta.
Sudhamani atingiu a idade adulta antes de sua família finalmente entender que tinham uma verdadeira santa em suas mãos, e que as multidões reunindo-se em sua porta não iriam diminuir. Na última década, milhões de pessoas vieram ver a santa mulher de Kerala. Quando Ammachi ("Mãe Querida", como é freqüentemente chamada) oferece um darshan aberto ao público na Índia, dez mil devotos fluem de suas aldeias para receber sua bênção. Como Anandamayi Ma, Ammachi aparentemente atingiu a plena realização sem o benefício de um guru. Como Ramakrishna, ela ensina com simples e eficazes analogias da vida de uma vila: "Filhos! Alguém pode morar em um desenho de uma casa? Você pode sentir a doçura da rapadura lambendo um papel que tenha a palavra escrita? Se você vê um anúncio de uma joalheria em Kanyakumari, você pode comprar pedras preciosas do anúncio? Claro que não! Queridos, da mesma forma não se pode experimentar o êxtase meramente lendo as escrituras". "A devoção sem conhecimento não pode nos liberar. Mas o conhecimento sem devoção é como comer pedras. No caminho da devoção podemos saborear o fruto desde o início, sentindo o êxtase em cada ação. Em outros caminhos, isso só ocorre no final. Podemos pegar um fruto de uma jaqueira na base, mas, no caso de outras árvores, precisamos subir até o topo da árvore para pegar o fruto".
O Ashram (monastério) de Ammachi próximo a Quilon, Kerala, atraiu um grupo central de renunciantes homens e mulheres, que levam uma vida rigorosamente disciplinada, que inclui oito horas de meditação por dia, estudo de sânscrito e trabalho manual. Uma dessas renunciantes é Kusumum, 27, de Chicago. Para ela, o impacto específico de Ammachi como mestre mulher foi revelar "tremenda força com uma forma completamente flexível, mostrando-nos como mulher, o que significa ser verdadeiramente feminina". "Mesmo assim, seguindo a Mãe, eu perdi minha identificação comigo mesma como 'mulher'. Essa equação polarizada não opera mais. A Mãe vê tudo igualmente. Ela nunca cria separação em sua forma de ensinar". Impressionada pela qualidade da renúncia que vêem no Ashram, as mulheres às vezes vêm a Ammachi acreditando que devem deixar seus maridos para terem uma vida espiritual. "A Mãe sempre diz a elas, 'Por que você está jogando ele fora? Sirvam um ao outro. Nesta era, não é apropriado para todo mundo renunciar ao mundo'". Ela ensina os homens a verem suas mulheres como a Divina Mãe, e as mulheres a verem seus maridos como o Senhor do Mundo, e também a servirem suas famílias, a comunidade e o mundo. A humildade e o serviço abnegado são seus temas constantes. Para uma mulher ser bem sucedida na vida espiritual, especifica Ammachi, "algumas das qualidades de um homem, como o desapego e a coragem, devem ser assimiladas. Geralmente, as senhoras têm interesse em renunciar a vida secular para atingir a Deus. Quem manteria a criação? Mas se o seu interesse é despertado, então podem fazer progressos até mais rápidos que os homens".
No século 18, o poeta-sábio Ramprasad revitalizou a antiga prática indiana de adorar Deus na forma da Mãe. No século 19, Ramakrishna popularizou-a ainda mais, através de sua adoração exemplar à deusa Kali. E Ammachi, também está promovendo a adoração da Deusa? Kusumum replica, "Ela nunca impõe a adoração à Divina Mãe, mas ninguém consegue evitar ao vê-la e ao desfrutar da sua companhia. Mesmo assim, sua mensagem básica é, 'Una-se com seu Ser' ". Ammachi é extraordinariamente acessível. Diferente de muitos santos, que evitam contato com pessoas comuns, Ammachi abraça as massas - literalmente. "Muitos milhares de pessoas já vieram chorar em seu ombro e ela os abraça e consola. Ela diz que, dos milhares que vieram vê-la, muito poucos tinham algo feliz para dizer. Ela diz que o sofrimento do mundo é imenso". "Existem muitos Ashrams onde se ensina como se iluminar", diz Ammachi, mas ela mesma prefere alunos que não desejem somente a união com Deus, mas que estejam também profundamente envolvidos com o serviço humanitário.

Duas vezes por semana, Ammachi entra publicamente no estado de Devi Bhava, um estado de união mística com a Divina Mãe. A aura de amor completo e êxtase inebriante que ela emana silenciosamente neste samadhi são impressionantes. Ela não fala, mas todos presentes sentem a realidade viva da divindade. Lentamente, pequenos grupos saem da biblioteca de Berkeley. "Ao vê-la", admite suavemente um executivo grisalho, "entendo que Deus é amor"

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